Setembro Amarelo: conscientização coletiva e tratamentos acessíveis devem nortear campanhas contra autoextermínio

Professor de Medicina do CEUB defende acolhimento de pacientes por parte das famílias e treinamento adequado de profissionais de saúde

Mais do que alertar sobre o suicídio, a campanha “Setembro Amarelo”, que no Brasil é realizada desde 2014, busca estimular a participação e atenção coletiva sobre o tema. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas cometem suicídio por ano. No Brasil, as mortes chegaram a 16.262, conforme Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Para o psiquiatra Lucas Benevides, professor de Medicina do Centro Universitário de Brasília (CEUB), o olhar para aqueles que estão próximos é fundamental para salvar vidas, começando pela diferenciação entre a tristeza passageira e a aflição mental séria.

As campanhas de conscientização desempenham papel importante na redução do estigma associado à saúde mental, explica Para Lucas Benevides: “Ao longo do tempo, testemunhamos um aumento significativo no número de pessoas que se sentem à vontade para buscar ajuda e compartilhar abertamente suas experiências íntimas”. O psiquiatra enfatiza a importância de reconhecer os sinais de alerta relacionados à depressão, como mudanças de humor repentinas, isolamento social, expressão do desejo de morrer e comportamento impulsivo. 

“A tristeza geralmente tem um gatilho específico e tende a melhorar com o tempo ou com mudanças nas circunstâncias, enquanto o sofrimento mental pode persistir e afetar a qualidade de vida de maneira mais abrangente”, acrescenta o professor. Para o psiquiatra do CEUB, conversas abertas e sem julgamentos são o melhor caminho para auxiliar aqueles que enfrentam desafios emocionais. “O suporte emocional e o encaminhamento para ajuda profissional muitas vezes começam por meio de familiares e amigos”, ressalta.

O primeiro passo para tratar problemas de desordens mentais envolve uma avaliação profissional para determinar o melhor plano de tratamento, que pode incluir psicoterapia, medicação antidepressiva ou estabilizadores de humor. “Terapia e medicação frequentemente funcionam melhor em conjunto, proporcionando estratégias de enfrentamento e correção de desequilíbrios químicos”, considera o especialista.

Já nos casos de suicídio, a terapia de luto, grupos de apoio e aconselhamento familiar são recursos importantes para lidar com as complexidades e sensibilidades dessas situações. “É fundamental que continuemos a multiplicar essas iniciativas e a fornecer ajuda e compreensão a quem precisa. O Estado também precisa aprimorar o seu papel, garantindo um financiamento adequado para saúde mental e legislação que apoie o tratamento e a prevenção”, reivindica o especialista.

Tratamentos acessíveis

O Centro Universitário de Brasília (CEUB) oferece suporte à saúde mental com serviços de psiquiatria e psicologia acessíveis à comunidade. A psiquiatria é oferecida pelo Centro de Atendimento à Comunidade (CAC), com consultas por R$ 40 no Setor Comercial Sul, Brasília. Para atendimento psicológico, a Clínica Escola de Psicologia do CEUB atende crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias, com sessões semanais conduzidas por estudantes supervisionados e o valor da taxa por sessão é o mesmo. Os agendamentos podem ser feitos pelo telefone (61) 3966-1660 ou presencialmente.

Serviço:

CEUB oferece atendimentos de psiquiatria e psicologia à comunidade

Local: Edifício União – SCS Quadra 01- 12º andar

Horário de Funcionamento: SEG a SEX das 8h às 18h.

Informações e marcação de consultas: (61) 3966-1660

Valor da consulta: R$40, com pagamento em dinheiro, cartão de crédito ou débito.

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