MOSTRA DE CINEMA PERUANO GANHA AS TELAS DA CAIXA CULTURAL FORTALEZA O cinema contemporâneo do Peru é destaque na mostra, que começa no dia 31 de julho e se estende até 5 de agosto de 2018, como parte da programação do 28º Cine Ceará.

Madeinusa” (2005), da diretora Claudia Llosa, Melhor Filme no Festival de Mar del Plata.

De 31 de julho a 5 de agosto, a CAIXA Cultural Fortaleza apresenta a Mostra de Cinema Peruano, que traz um panorama da cinematografia do país, com exibições de longas-metragens de alguns dos mais representativos nomes da contemporaneidade. A mostra integra o 28º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, que a cada edição realiza uma mostra especial, como homenagem a um país da ibero-américa. 

A Mostra é dedicada ao cinema peruano contemporâneo, que tem se destacado em festivais internacionais, revelando novos nomes, além de obras consolidadas nos melhores festivais do mundo. “Um dos objetivos da Mostra é conseguir elaborar, através dos filmes escolhidos, um retrato do país homenageado. São filmes que apresentam um claro discurso local, com base nas tradições, nas singularidades espaciais e naturais do país, nas grandes diferenças entre a sua imponente natureza e as caóticas cidades peruanas”, diz Pablo Arellano, curador da Mostra.

Na opinião de Pablo, de uns anos para cá o Peru tem contribuído muito na cinematografia ibero-americana, com diretores e filmes surpreendentes, únicos e com enorme potencial. “O país possui um cinema em crescimento e o Cine Ceará quer ser porta-voz disso”, diz. Segundo o curador, o cinema do Peru nunca esteve entre os mais difundidos da ibero-américa e, ao destacá-lo, o Festival reforça sua função de apresentar diferentes cinematografias. Com isso, dá oportunidade ao público de conhecer outros diretores e ter acesso a grandes filmes ainda desconhecidos dos brasileiros. 

Ao longo de seis dias, a Mostra fará uma imersão no cinema do Peru exibindo 16 longas-metragens. “Todos eles são destaques do cinema contemporâneo do país dentro do panorama internacional”, frisa Pablo Arellano. “Eles representam o cinema peruano do presente e do futuro. Em sua maioria são jovens cineastas que estão revolucionando a linguagem audiovisual do Peru, com propostas arriscadas, pessoais, com olhares únicos e poéticos”, destaca. 

Cineastas peruanos

A Mostra destaca três mulheres que, em diferentes estilos estão depurando uma linguagem própria a cada novo filme. Na ficção está Claudia Llosa, com trabalhos reconhecidos internacionalmente no cinema experimental. Da diretora será exibido “Madeinusa” (2005), que entre os prêmios recebidos está o de Melhor Filme no Festival de Mar del Plata. Da cineasta Enrica Pérez a Mostra exibe “Climas” (2014), que apresenta o retrato de três mulheres peruanas que vivem realidades distintas, uma na selva, outra na serra e a terceira na cidade. Por último, o público poderá conferir o trabalho de Karina Cáceres, que utiliza o vídeo e a viagem como uma forma de retratar o país, suas contradições, sua beleza e sua tradição. Dela serão apresentados “Cabo para a Terra” (2012) e “Sob a influência” (2016), ambos inéditos no Brasil. 

Seguindo a ideia de viagem e de retrato do país, entra na Mostra o filme “O espaço entre as coisas” (2013), de Raúl del Busto que, assim como Karina Cáceres, faz uso da viagem e do cinema experimental para mostrar as diferenças das várias regiões e tradições do país andino. O filme também terá na CAIXA Cultural Fortaleza sua primeira exibição no Brasil.

A obra de Juan Daniel F. Molero está presente com dois longas-metragens. O cineasta é habitual do Festival de Rotterdam, com trabalhos provocadores onde emprega uma técnica que lembra o vídeo dos anos 90. Sua cinematografia explora o mundo cibernético e sua influência na juventude, na sexualidade e no caos de cada dia. “Ele trabalha o cinema empunhando a bandeira da liberdade criativa”, comenta o curador. Seus filmes na Mostra são “Reminiscências” (2010) e “Videofilia (e outras síndromes virais)” (2017), vencedor do Tiger Award no Festival de Rotterdam. Outro nome com duas produções é Héctor Gálvez, de quem a Mostra exibe “Paraíso” (2009), premiado no Festival de Veneza, e “NN” (2014), com o qual ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cartagena de Índias.

Dos cineastas peruanos o público poderá conferir ainda outros longas-metragens que foram destaques em importantes festivais internacionais. “Outubro” (2010), de Diego e Daniel Vega, esteve no Festival de Cannes; “Rosa Chumbe” (2015), de Jonatan Relayze, Melhor Filme Nacional no Festival de Lima; e “A última tarde” (2014), de Joel Calero, onde o reencontro de um casal faz um paralelo entre a cidade de Lima no século XXI e o passado político da esquerda do país no século XX. O filme recebeu o prêmio do público no Festival de Lima e a melhor direção no Festival Ibero-americano de Guadalajara.  Fechando a lista dos peruanos estão os documentários musicais “Continuo Sendo (Kachkaniraqmi)” (2013), de Javier Corcuera, que não chega a ser estritamente um musical, mas um filme que fala de música e de músicos do Peru, e “Saicomanía” (2011), de Héctor Chávez, que conta a história da primeira banda de punk da história. 

Dois estrangeiros

A homenagem do 28º Cine Ceará ao cinema peruano agrega dois importantes cineastas que, embora estrangeiros, pontuaram sua cinematografia com filmes ambientado no Peru. De Leonor Caraballo, da Argentina, será exibido “Ícaros: uma visão”, codireção do uruguaio Matteo Norzi. O filme foi destaque no Festival de Tribeca de 2016.

O outro cineasta estrangeiro é o italiano Gianfranco Annichini, que com o tempo tem se tornado um dos grandes nomes do cinema peruano. Seu filme na mostra é o documentário “A curiosa vida de Piter Eustaquio Rengifo Uculmana” (2014), um quebra-cabeça que conta a história dos amores, crimes e pecados de um homem, tendo nas suas iniciais o nome do próprio país. Dessa forma, Annichini fala dos segredos do país através da figura do personagem central do documentário. 

PALESTRA

Além das exibições, faz parte da Mostra a palestra “O Cinema Regional Peruano”, que será proferida pelo jornalista, crítico e professor de cinema Emilio Bustamante. Formado em Ciências da Comunicação na Universidade de Lima, é Mestre em Literatura Peruana e Latino-americana na Universidade Nacional Maior de San Marco. É professor na Faculdade de Comunicação da Universidade de Lima e Faculdade de Ciências e Artes da Comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Peru. Especializou-se em linguagem, narrativa e direção audiovisual. 

A Mostra de Cinema Peruano marca o início do 28° Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, que terá abertura oficial no dia 04 de agosto, no Cineteatro São Luiz, onde acontece até o dia 11, numa promoção da Universidade Federal do Ceará (UFC), através da Casa Amarela Eusélio Oliveira, com apoio do Cineteatro São Luiz e do Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Lei Estadual Nº 13.811), do Ministério da Cultura, via Secretaria do Audiovisual, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e Prefeitura Municipal de Fortaleza, através da Secultfor. A realização é da Associação Cultural Cine Ceará e Bucanero Filmes. Patrocínio: M. Dias Branco, Banco do Nordeste e Café Santa Clara. Agradecimento a Enel.

Programação

Terça-Feira, 31/07 

17h – Coletiva de imprensa – Apresentação das Mostras do 28º Cine Ceará 

19h – Videofilia (e outras síndromes virais). Juan Daniel F. Molero. 2017 (Tiger Award – Festival de Rotterdam). 112min. Classificação indicativa: 14 anos. 

Quarta-Feira, 01/08

15h – Saicomanía. Héctor Chávez. 2011. 70min. Classificação Indicativa: Livre 

17h – A última tarde. Joel Calero. 2014. 90min. Classificação Indicativa: 14 anos. 

19h – Ícaros: uma visão. Leonor Caraballo e Matteo Norzi. 2016 (Festival de Tribeca). 91min. Classificação indicativa: 14 anos.

Quinta-Feira, 02/08 

15h – Sob a influência. Karina Cáceres. 2016. 60min. Classificação indicativa: Livre. Sessão para escolas

17h – Reminiscências. Juan Daniel F. Molero. 2010. 85min. Classificação indicativa: 14 anos.

19h – Continuo Sendo (Kachkaniraqmi). Javier Corcuera. 2013. 110min. Classificação indicativa: Livre.

Sexta-Feira, 03/08 

15h – A curiosa vida de Piter Eustaquio Rengifo Uculmana. Gianfranco Annichini. 2014. 72min. Classificação Indicativa: 14 anos. 

17h – Outubro. Diego e Daniel Vega. 2010 (Festival de Cannes). 90min. Classificação indicativa: 14 anos.

19h – NN. Héctor Gálvez. 2014 (Melhor Direção – Festival de Cartagena de Índias). 89min. Classificação Indicativa: 18 anos.

Sábado, 04/08

15h – Cabo para a Tierra. Karina Cáceres. 2012. 50min. Classificação indicativa: Livre. Sessão para escolas.

16h – PALESTRA – O Cinema Regional Peruano, de Emilio Bustamante (jornalista, crítico e professor de cinema). 

17h – Climas. Enrica Pérez. 2014. 85min. Classificação indicativa: 14 anos. 

19h – Paraíso. Héctor Gálvez. 2009 (Festival de Veneza). 87min. Classificação indicativa: 14 anos.

Domingo, 05/08 

15h – Rosa Chumbe. Jonatan Relayze. 2015. 85min. Classificação Indicativa: 14 anos. 

17h – O espaçoentre as coisas. Raúl del Busto 2013. 95min. Classificação indicativa: 14 anos. 

19h – Madeinusa. Claudia Llosa. 2005 (Melhor Filme – Festival de Mar del Plata, entre outros). 100min. Classificação indicativa: 14 anos.

Serviço:

Cinema: Mostra de Cinema Peruano

Local: CAIXA Cultural Fortaleza 

Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: 31 de julho a 05 de agosto de 2018

Horários: ver programação

Classificação indicativa: ver indicação de cada filme

Ingressos: gratuitos (distribuídos com 1h de antecedência, sujeitos à lotação do teatro)

Acesso para pessoas com deficiência e assentos especiais

 

Informações gerais | CAIXA Cultural Fortaleza: 

(85) 3453-2770

 

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